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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

2013 – O ano em que pouco vai mudar

O ano novo chegou! E junto com ele promessas, metas, análise do que foi e não foi executado por você no ano passado, buscas por desafios, animação lá em cima, tudo muito válido, lindo e maravilhoso. E eu sempre aproveito para reler alguns posts meus, aqueles voltados à reflexões e carreira, e vejo que em geral já escrevi demais e a linha de pensamento sempre se manteve:
É preciso foco e disciplina, mais transpiração que inspiração, sorte é para poucos, já a boa sorte para os preparados, TI oferecerá por um longo tempo vagas e mais vagas e sempre teremos exemplos inspiradores para nos apoiarmos. 
Quer ler sobre isso, alguns posts que já publiquei:

Nesse ano vou fazer diferente, vou colocar algumas previsões (técnicas e gerais) para 2013 e próximos anos, sob a seguinte ótica: O que pouco vai mudar nos próximos anos...
1.       Profissionais - na média - não estarão capacitados para exercer sua função
a.       Em geral as pessoas não estão preparadas para assumir as responsabilidades que o seu cargo exige.
b.      E não digo isso porque você assumiu uma posição onde um recrutador retardado colocou que você deveria ser o mestre do universo em SQL Server, Oracle, DB2, MySQL e Postgree.
c.       Estou me referindo à execução de tarefas básicas, seja manter um ambiente SQL Server, desenvolver um módulo de uma aplicação, configurar um domain controller, ou sei lá o que mais.
d.      O que é um assustador hoje é que as pessoas aceitam executar tarefas nas quais elas não conhecem nem 3% do produto ou não tem uma base mínima, e encaram isso com a maior naturalidade! Coisas ruins acontecem por conta disso.
e.      Acho que devemos ser ousados e encarar desafios, sempre falo isso para nossa equipe, mas saiba quais são seus limites e dedique-se ao extremo, para garantir um bom resultado.
2.       Inaptidão gerencial continuará a inchar as estruturas e atrapalhar o desempenho dos negócios.
a.       É uma extensão do item anterior, falta de preparação para exercer o cargo, e por força de um mercado engessado e estruturas ruins, muitas pessoas estão no cargo por fatores diferentes do mérito.
b.      No ano passado acompanhei boas discussões sobre a necessidade de gerentes (entre outros artigos):
                                       i.      http://blog.lambda3.com.br/2011/12/fire-all-the-managers/
                                     ii.      http://elemarjr.net/2011/12/06/fire-all-the-bad-managers/
c.       Em equipes pequenas e diferenciadas, ou locais onde um líder emerge, a figura tradicional do gerente é descartável. E mesmo equipes “TOP” não resolvem tudo, é necessário processos, foco na entrega e controle, então habilidades que deveriam ser essenciais para este profissional devem estar incorporadas na organização ou no líder, para este modelo realmente funcionar.
d.      O Elemar escreveu muito bem em seu post “Fire all the BAD managers”, só que depois de anos e anos de consultoria, esse número na minha visão seria de 80% a 90%, e como a pirâmide coorporativa e outros problemas graves existem, isso significaria o caos.
e.      Dito isso, continuaremos como estamos hoje, usando gerentes ruins para supervisionar a ineficiência que existe na maioria das organizações, tentando transformar o que é feio em uma planilha apresentável.
3.       Empresa e funcionários são descartáveis entre si, e a culpa sempre é do outro.
a.       O funcionário culpa a empresa da falta de investimento, de não poder sair do trabalho para fazer um curso, do excesso de trabalho, da distribuição de bônus, das tarefas que recebeu, etc.
b.      A empresa culpa os funcionários pela falta de empenho, por não vestir a camisa da empresa, por não ter cumprido um prazo X ou por não ter se negado a executar uma tarefa que não estava dentro de conhecimento.
c.       Eu acho que esse constante estado de insatisfação é da natureza do ser humano, não sei o motivo, mas parece que tudo é fator desmotivador. Se estiver ruim para você, TROQUE DE EMPRESA! Se não consegue colocação profissional em um mercado com déficit gigante de profissionais, bem...
4.       BI vai continuar pelos próximos 10 anos na lista de maiores investimento do próximo ano.
a.       Business Intelligence é importante e lindo, tão lindo que dá vontade de investir todo meu dinheiro, mas complicado. Problemas estruturais dos bancos de dados, qualidade e integração dos dados em estado precário, e execuções medonhas de projetos complexos.
b.      Mas precisamos tirar informação para o negócio e como ainda temos problemas gigantes a ser enfrentados, além de uma maturidade empresarial e capacitação técnica de fazer chorar, BI vai continuar na lista de prioridades por um bom tempo.
5.       Casos e mais casos de desastres vão assolar o mundo dos dados
a.       Falta de segurança, nenhuma redundância de dados, zero de alta disponibilidade e bancos de dados sem nenhum cuidado especial. Empresas vão perder dados, muitas vão falir, outras vão sofrer por muitos anos.
b.      Enquanto lemos sobre Big Data (que é muito legal!) e grande tendências, vamos esquecer-nos do básico. Isso vem alinhado com a falta de preparação, uma coisa é você escrever sem seguir as melhores práticas o aplicativo de controle de ponto, outra é você ser responsável por todos os dados de uma empresa.
c.       Seu ambiente está indo para o buraco e as pessoas não tem ideia disso, ou você está andando ao lado de um desfiladeiro e acredita que está na estrada dos tijolos de ouro.
6.       Novas tecnologias milagrosas vão continuar aparecendo
a.       E vamos continuar apanhando para entender que não existe remédio universal para todos os problemas. Por exemplo, muitos vão quebrar a cara achando que é só colocar na nuvem que tudo se resolve.
                                       i.      Cloud computing é fantástico, não me entenda errado, só que precisa de entendimento para ser bem utilizado, alias como tudo.

Post pessimista? Longe disso, depende da percepção de quem está lendo. Falando de coisas que todo mundo já sabe? Talvez, mas 90% do que lemos já não foi publicado por outro em algum lugar do mundo? Seremos melhores a cada ano? Duvido.
Mas no fim sempre teremos ótimos exemplos, aquele que merece ser seguido e que vai nos inspirar e ensinar muita coisa. Eu estou constantemente olhando para minhas referências e tentando ter a humildade de aprender com quem está do meu lado, e que sabe ensinar também.
E por aí vamos, o mundo vai continuar no girando e nós dentro dele, vamos nos sentir frustrados e quem sabe até inaptos para exercer nossas funções, de pai, profissional ou amigo. Mas nesse momento é hora de sacudir a poeira e entender que grandes mudanças começam bem pequenas, e que a primeira delas seja você.
Abraços
sr. Nimbus Serviços em Tecnologia - www.srnimbus.com.br

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012 – Um olhar para o ano que passou

Último dia do ano, muitos dias de reflexão em dezembro, e nada como um post com um olhar rápido para o ano que passou.
O ano de 2012 foi novamente de muito trabalho, divertido e também com o sentimento de que passou depressa demais, sem contar que está cheio de novidades. No geral foi um ano bom para este que vos escreve, e claro, houve momentos não tão gratificantes. Mas estamos bem, o mundo não acabou e sempre vejo boas perspectivas de 2013, contando que herdei do meu pai um otimismo grande (mesmo não o aceitando), todo ano me parece melhor que o que passou.

O lado pessoal
Em 2012 nasceu meu segundo filho, o Rafael. Hoje o Bernardo está com 2 anos e 2 meses e o Rafa fará 9 meses em meados de Janeiro. Junto com minha mulher, Patrícia, posso dizer que ter filhos é maravilhoso! Claro que dá muito trabalho, mas todo dia eles nos lembram como somos felizes juntos. Abaixo algumas fotos dos destruidores (atual apelido carinhoso):

  
Nesse ano fizemos outra escolha difícil, vendemos a nossa casa e optamos por mudar para um apartamento, deixamos muitos metros quadrados e espaço por um apartamento com 1/3 do tamanho, mas onde considero o melhor lugar de Brasília, então estamos muito animados. E claro, estamos enfrentando uma reforma, queríamos mudar bem antes do Natal e agora quem sabe em meados de Janeiro, nesse meio tempo (desde Novembro) estou sem residência oficial, o que deixa tudo muito complicado, principalmente conciliar trabalho, cuidar dos meninos, família, e ajudar com a obra.
Descobrimos que mesmo sendo bem certinhos, para conseguir uma documentação nesse país é preciso respirar fundo e contar até 29348392 algumas vezes. A burocracia, carga tributária e incompetência estão semeadas em todo lugar, felizmente conseguimos encontrar algumas pessoas competentes, mas chega a ser desesperador. A frase do mês de novembro que ouvi foi “Cansei, escolha qualquer país, eu quero me mudar do Brasil”. Tenso, multiplique por 10x e você terá uma noção dos últimos meses...
E ressalto a carga tributária, nada como deixar quase um ano de trabalho em impostos para o governo só por conta de transferência de imóveis, taxas de construção, entre outros, já que nós pagamos pouco imposto mesmo... Aliado com a lentidão dos órgãos, nada como estar com uma dívida que nem o Big Brother cobre, esperando a documentação para fechar a transação de sua casa.

A Nimbus
2012 foi um ano difícil para a empresa, fechamos com uma equipe fantástica, mas nos deparamos com a dificuldade de ser empresário no Brasil. Novamente a alta carga tributária e um modelo de negócio fora do convencional nos deu bastante trabalho, que estamos superando através de ajustes na empresa e nos modelos de serviço, sem perder a essência da Nimbus.
Tivemos que tomar uma dura decisão de abrir mão de dois anos de investimento em um projeto que se mostrou com pouco futuro e inovar na forma de trabalho. Hoje acredito que estamos com um direcionamento bem interessante, mas vou deixar para escrever sobre isso em outro post, em 2013.
Passando a régua em 2012 foi um ano positivo, e mais importante, com clientes satisfeitos. Trabalhos bem feitos, entregas rápidas que fizeram efeito imediato, números assustadores como sair de 2.000 inserções por segundo para mais de 800.000 mil (chegando até um milhão de inserções por segundo com se efetuada outra mudança) e segundo nossos clientes: uma diferença técnica brutal se comparado com outras empresas que já prestaram serviços no passado.
Em 2013 vamos continuar trabalhando forte e garanto que seremos ainda melhores no que fazemos. E como digo na empresa, SQL Server para gente grande é com a Nimbus.

O Luti
Sempre é difícil falar de nós, pois costumamos ser exigentes e parece algo do tipo “eu falo e você diz que não é bem assim”, mas vamos lá... Profissionalmente foi um ano um pouco fraco para o Luciano Moreira.
·         Não consegui me capacitar tanto quanto eu desejava, queria ter estudado mais SQL Server e outras tecnologias, mas o dia-a-dia e a falta de disciplina me carregaram para longe de alguns objetivos que tinha.
·         Não terminei meu MBA Executivo, cursei as matérias, mas deixei de lado meu trabalho de conclusão de curso em prol da empresa e da Família (desculpa para falta de organização), item que vou fechar em 2013.
o   E não fiquei mais tempo acordado na madrugada, não sei se o impacto na saúde faz isso valer a pena.
·         Não cuidei da minha saúde como eu gostaria, não ganhei peso nem aconteceu algo de ruim, mas posso melhorar bem se quero ter um futuro mais saudável.
·         Não joguei tanto futebol como gostaria, não assisti tantos filmes e li poucos livros. Poderia ter encontrado mais meus amigos, porém com dois pequeninos em casa, o tempo parece voar.
o   Somente 5 livros não técnicos e mais alguns técnicos.
o   E mais uns 5 que ainda estou na metade e provavelmente vou recomeçar a ler.
·         Fiz bons trabalhos na empresa, alguns desafiadores, mas gostaria de ter cruzado alguns casos mais pesados e maiores.
·         Poderia ter organizado mais encontros do SQLServerDF, escrito mais artigos técnicos (ideias mil estão anotadas) e participado de mais eventos (o problema também é o $$$ envolvido).
·         Não melhorei meu inglês (fala), acredito que sei ler, escrever e ouvir muito bem, mas quando converso em inglês tenho vontade de me enterrar de vergonha.
Nem tudo foi negativo, claro:
·         Ministrei diversos treinamentos de SQL Server, e claro o Internals (que agora se chama Mastering the database engine), que é uma semana geek que eu adoro!
·         Continuei com meu bom histórico de provas da Microsoft, sem nunca ter reprovado em prova alguma, passando em 5 provas neste ano (4 de SQL Server e uma de C#), fora a prova do MCM.
o   Também renovei meu MCT por mais um ano
·         Consegui passar na primeira etapa para me tornar um Microsoft Certified Master (MCM) em SQL Server, sendo uma prova mmmuuiitttooo difícil, que foi o primeiro passo dessa caminhada.
o   O laboratório fica para 2013! Quem sabe o Brasil não terá seu segundo MCM no próximo ano?
·         Assumi o cargo de Regional Mentor do Brasil pelo PASS, junto com meu amigo Laerte Júnior.
·         Tive meu MVP em SQL Server renovado pelo 3º ano
·         Participei do PASS Summit 2012
·         Vi o grupo do SQLServerDF se tornar mais que um aglomerado de geeks, nos tornando hoje um grupo de amigos que compartilham um interesse e paixão.
·         Escrevi um pouco no meu blog, mas não confio nos números, pois cada ferramenta me dá um valor diferente. Então pegando um número médio devo ter tido em torno de 15.000 visitas e 25.000 page views em 2012.
·         Publiquei meu primeiro artigo no SimpleTalk
E o que esperar de 2013? Que seja melhor que 2012! J
Sempre temos que acreditar e trabalhar para que o ano seja melhor e incrivelmente fantástico. E lembrar que vale mais uma vida feliz com as pessoas que amamos, e fazendo o que gostamos, do que um viver em um mundo sombrio e regado a ambições ruins.
E que em 2013 nós possamos ser menos egoístas e compartilhar com os outros o que for possível, seja um pouco de conhecimento, fazer um gesto legal ou pelo menos um começar todo dia com um sorriso para as pessoas que estão à  nossa volta.
Abraços e um excelente 2013!
sr. Nimbus Serviços em Tecnologia - www.srnimbus.com.br

domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 – O ano para ** sua carreira?

PDF aqui.

Com regularidade eu escrevo alguma coisa a respeito do próximo ano e é natural que muita gente pare nessa época do ano para pensar um pouco e planejar como gostaria de se ver no fim de 2011, então aproveito para compartilhar com vocês algumas reflexões e ideias para os próximos 365 (agora 363) dias que estão à nossa frente.

Um olhar sobre 2010 

Seu ano foi bom profissionalmente? Conseguiu aquele aumento? Trocou de emprego ou de cargo? Está fazendo o que você gosta?
 
E pessoalmente? Conseguiu ficar com sua família? Fez novos amigos? Cuidou da sua saúde? Praticou esporte e brincou com seus hobbies?
 
Meu ano foi muito interessante, profissionalmente eu aprendi demais com a Nimbus, conseguimos fazê-la crescer, passamos por dúvidas quanto ao seu funcionamento, tomamos decisões difíceis e buscamos diversas oportunidades. Tecnicamente continuei trabalhando com SQL Server, tive oportunidade de desenvolver com .NET e trabalhar com o Azure, mas meu foco ficou mesmo com o SQL Server e tive oportunidade de me especializar ainda mais com o SSIS.
 
Pessoalmente eu estou vivendo diversas mudanças, depois de voltar de uma viagem de 33 dias lá no outro lado do mundo, onde pude ver muita coisa diferente, mudamos para a nova casa (na minha vida somente havia morado em apartamento), passamos por um aperto financeiro para concluí-la (primeira vez também), tive um ano gostoso com minha mulher, curtimos a gravidez juntos e agora estamos com o Bernardo, que hoje está com dois meses e uma semana de vida, e nesse tempinho já nos deu muito que refletir. 
Não vou gastar muito tempo aqui com o meu ano, mas resumindo, gostei bastante de 2010, acho que consegui atingir alguns dos objetivos que havia posto para mim, mas deixei outros de lado, que vou perseguir incessantemente em 2011, então o próximo ano promete ser bem desafiador.
 
Então vou focar este post em algo que me marcou...
 
Felicidade pessoal e profissional 

Pode parecer piegas ou bobagem, mas nesse ano o que mais me chamou a atenção foi como fracassamos em nos sentir satisfeitos com nossa vida, em buscar o que desejamos e como gastar energia de forma efetiva, nas coisas que realmente importam. Vindo de um workaholic (tive que aceitar essa característica pessoal, a contragosto), isso requer uma análise profunda...
 
Acredito que conseguimos o melhor dos resultados, profissionais e pessoais, quando estamos sem estresse, animados com os desafios, alegres, em sintonia com o ambiente ao nosso redor, enfim, quando estamos executando a menor ou mais repetitiva tarefa e não pensamos: COMO EU QUERIA ESTAR FAZENDO OUTRA COISA.

Recentemente vi em um programa na TV a pergunta 20/10, que é o seguinte: “Se você tivesse 20 milhões na sua conta bancária ou soubesse que somente têm mais 10 anos de vida, você faria o mesmo que está fazendo hoje?”. No meu caso eu viajaria mais e teria algumas regalias (claro!), mas a resposta foi um sonoro SIM, trabalharia feliz com as mesmas coisas que faço hoje, com uma grande ressalva: teria que melhorar meu work-life balance (balanço entre vida pessoal e trabalho). Caso contrário eu preferiria largar tudo (inclusive a computação) a manter uma vida desbalanceada, o que me assustou bastante, já que sou um geek de carteirinha.
 
E o pior foi pensar que se eu fizer essa pergunta para muitos amigos, tenho certeza que algo em torno de 80% a 90% responderia que não, o que é triste, muito triste. Sabe alguns dos efeitos disso:
 

  • Você executa seu trabalho de forma pior.
  • Você trabalha mais horas (e mesmo assim o resultado sai abaixo do que você poderia produzir).
  • Você comete erros bobos no meio da madrugada ou perde o trabalho de um fim de semana por causa do cansaço (li esses dois no twitter de amigos bem recentemente).
  • Você briga em casa ou discute com colegas no trabalho.
  • Vê o sucesso de outros com maus olhos, ao invés de ficar feliz pela pessoa.
  • Você deteriora sua saúde
Que merda, será que têm que ser assim? Pensei em mim, nos amigos e na empresa que estamos criando, que é natural tomar a cara dos seus “pais”, então será que todos estamos fadados a trabalhar 12 ou 14 horas por dia? 
 

Uma mudança radical


No contexto acima, na primeira semana de novembro eu tomei uma decisão radical: Vou trabalhar menos, ser mais efetivo e provar que é possível criarmos a cultura (e uma empresa) onde valorizamos a pessoa em primeiro lugar, com uma qualidade ímpar no trabalho, balanceando vida profissional e pessoal. 
Para isso eu precisaria me reeducar e focar no que é importante, então garanti que durante o horário de trabalho: 
  • Não atendo telefone a não ser que seja algo que estou esperando
  •     Sim, excluí do celular todos os números que não sejam próximos ou de algum cliente em que estou executando um serviço.
  •     No Brasil não existe cultura de deixar recado... Bom, se não deixou recado não deve ser importante, então não espere que eu retorne.
  •     Posso perder oportunidades? Claro que sim, mas é o preço a se pagar.
  • Não atendo celular em reunião
  •     É uma FALTA DE RESPEITO com as outras pessoas, que estão desperdiçando seu tempo para ouvir você falar com outra pessoa. Pense nisso, seu tempo não é mais precioso que o dos outros.
  • Desliguei todas as redes sociais e e-mail
  •     Gosto da minha presença online, mas é uma distração enorme.
  • Foco
  •     Dentro do cliente, passei a procurar novos locais que me permitem focar e ser mais produtivo, minimizando as interrupções.
  • Menos tarefas paralelas
  •     É complicado estarmos executando uma tarefa e de repente aparece um pensamento de outro problema. Se não têm banda para executar com calma o que está ao seu redor, vá para o próximo passo.
  • Diga NÃO
  •     Esse é o meu calcanhar de Aquiles. Acho extremamente difícil dizer não, quero tentar agradar as pessoas e até hoje é natural eu aceitar algo (mesmo sabendo que vou me estressar) e depois executar o que me foi pedido achando tão ruim, que preferiria passar fome a ter que acabar a tarefa.

Hoje estou tentando manter 40 horas de trabalho semanais, o que já foi piada no twitter, mas estou conseguindo executar bem. São 40 horas de trabalho efetivo (já vi gente enrolando uma tarde inteira, isso não é trabalho, ok?). Assim quando chego em casa eu posso ficar com a família, me divertir com meus hobbies, escrever artigos e estudar o que me interessa 
Esse último é o mais interessante, se eu estou estudando sem a obrigação de saber que é para entregar alguma coisa no dia seguinte ou uma tarefa do trabalho, isso não me incomoda nem um segundo, pelo contrário, me dá extremo prazer. Mas se é uma dedicação extra por pressão, então o estresse vêm junto e toda uma série de problemas.
 
O ** do título  

Troque os asteriscos pelo que é mais importante na sua carreira: Alavancar, Organizar, Redirecionar, Jogar fora, Priorizar... Mas faça algo a respeito. A menos que você tenha atingido o seu Nirvana, sempre existe algo a ser executado.


Ao longo dos anos já tive a chance de dar conselhos (espero que bons) a muitas pessoas, e me agonia profundamente vê-las insatisfeitas, mas sem nada planejando ou sinal de que vão mudar alguma coisa. Galera, que droga, a mudança começa por você.

Não existe receita de bolo para nada nessa vida, mas podemos ser espertos e tentar aprender com outras pessoas. Converse com quem está ao seu lado, procure bons exemplos (sempre tenho meus ídolos :-)) e não desista.

Particularmente eu recomendo o livro “Getting Things Done” e uma das pessoas que considero demais (Brent Ozar) também usa o GTD (http://www.brentozar.com/archive/2010/12/goals-where-were-going-we-dont-need-goals/).

Curiosamente vi hoje no blog do amigo Nogare uma meta para 2011 que vai de encontro com o post: Trabalhar no máximo 50 horas por semana (http://www.diegonogare.net/Blog/post/Realizacoes-de-2010-e-Objetivos-para-2011.aspx). Estou torcendo por você!

Muitas vezes o caminho é árduo, a mudança requer coragem e, claro, não existe garantia de sucesso. Mas uma pessoa bem mais inteligente que eu uma vez disse: Talento é 99% transpiração e 1% inspiração.

Bom, continuo na minha jornada e se isso não der certo, vou pegar meus vinte milhões e fazer outra coisa...

[]s
Luciano Caixeta Moreira - {Luti}
luciano.moreira@srnimbus.com.br
www.twitter.com/luticm
www.srnimbus.com.br

quarta-feira, 31 de março de 2010

Um ano longe da nave mãe

Bom dia pessoal.
Vamos com um post não técnico…

Na semana passada eu completei um ano longe da nave mãe, vulgo Microsoft, estou em minha própria empresa, a Sr. Nimbus, e aproveito para deixar uma pequena retrospectiva e comentários rápidos sobre o que eu ando observando.

Obs: quando eu digo "longe" realmente significa sem ser funcionário da empresa, pois nunca deixei de conversar com meus amigos, trabalhar junto ao MSDN/TechNet e de falar sobre produtos e frameworks que eu tenho um pouco mais de contato.

Já se foi um ano como empresário, instrutor, consultor, estudante, ajudante da comunidade e SQLGeek. Muitas máscaras para um mesmo indivíduo, muito trabalho acompanhado de muito crescimento profissional e, felizmente, tudo mais ou menos dentro das minhas expectativas e planejamento.


O trabalho

Frequentemente me perguntam se eu me arrependo de ter saído da Microsoft, e a resposta é: ainda não deu tempo para arrepender e até agora as coisas estão fluindo relativamente bem.

Hoje eu tenho maior liberdade para atuar em diversas frentes e posso trabalhar como suporte, evangelista, consultor, instrutor, enfim, desfrutar de várias frentes e desafios. Isso é excelente, pois me permite estar acompanhando as novidades e ao mesmo tempo colocando a mão na massa, então trabalho com a combinação ideal (ao meu ver), onde posso trazer vivências para os treinamentos e ensinar os clientes durante uma consultoria através de passagem de conhecimento, sem guardar segredos.

Porém nem sempre tenho acesso aos casos mais desafiadores (apesar se já ter pego algumas boas pedreiras) e aquele antigo costume de trabalhar diariamente com grandes clientes sempre bate à porta, mas uso isso como um incentivo.

Nunca consegui trabalhar poucas horas no meu dia (são 4:59 da manhã e estou com esse post desde 3:45), então seja na Microsoft ou na Sr. Nimbus eu me dedico muito mais do que as 8 horas de regra, as preocupações são diferentes, mas o volume de trabalho é um pouco maior.


O mercado

Esse é um tema polêmico e sim, acho que participamos de um dos mercados mais caóticos e prostituídos, o de TI.

Acho que no fundo todas as empresas procuram evoluir com seus processos e melhorando paulatinamente, mas ainda acho que falta em muitas empresas uma mentalidade de longo prazo e ações concretas para realmente implementarem aquele discurso bonito dos homens engravatados. Por outro lado temos os profissionais, que devem se manter atualizados e procurar serem melhores no que fazem, mas nem sempre é isso que acontece.

Hoje vivemos um cenário onde é necessário economizar e fazer bom uso do dinheiro (como se isso não fosse importante sempre), e mesmo assim fico vendo empresas rasgando dinheiro e não investindo em um de seus bens mais importantes, os funcionários.

A área de TI muda com uma frequência inacreditável e para o profissional se manter atualizado não é fácil, então é necessário que a pessoa se dedique a isso e a empresa também abrace a causa. Mas o que vejo é:

• Muitos funcionários que não se importam com sua evolução técnica e profissional.
• Funcionários que não recebem treinamentos adequados para o papel que desempenham.
• Empresas que optam por gastar o mínimo possível na capacitação dos funcionários, normalmente depois que a tecnologia em questão já foi (mal) empregada.

Faço muitas visitas a clientes e ouço gerentes de TI reclamando da prostituição dos seus funcionários e vice-versa. E acho que nós, talvez uma característica da nação, preferimos reclamar a fazer alguma coisa a respeito.

Vou citar alguns exemplos das atrocidades que vejo por aí:

• Gerente de TI reclama que profissionais recém (ou ainda não) formados estão pedindo salários altos e achando que são especialistas. Verdade, temos muitos moleques arrogantes hoje no mercado que ainda não perceberam o valor da experiência.
○ Mas este se recusa a liberar o funcionário 1/2 período para este fazer um treinamento, que ele próprio está pagando do seu bolso, já que empresa não vai pagar.
• Recebo uma ligação de um potencial cliente reclamando que o consultor atual não está atendendo a altura e não conhece de verdade o SQL Server.
○ Quando faço minha proposta o cliente reclama que o preço está um pouco mais alto do que o consultor que já atua na casa... Fico perplexo. O que ele esperava? Então aproveite o atual.
• Empresa faz seleção para analista júnior de banco de dados e eu estou tomando um café perto de um candidato que comenta "putz, me deu um branco e esqueci o que é join".
○ Eu não me candidataria a algo que eu não estou preparado ou conseguiria me preparar, é diferente planejar, aprender e executar, de simplesmente achar que o jeitinho brasileiro funciona.
○ O candidato que passa na prova diz que seu salário atual é de R$ 15.000 e quando empresa diz que o salário é R$ 4.000 (números fictícios) ele diz: aceito! Algo muito estranho no ar... Melhor mandar o cara embora.
• Já ouvi mais de uma vez: prefiro pagar menos e ter algo 75% do que gastar um pouco mais agora e ter algo próximo de 100%.
○ Pasmem, isso é o que me deixa mais assustado. Vejo clientes perdendo centenas de milhares de reais mensalmente, mas se recusando a investir um pouco mais e resolver o problema. A conta não bate na minha calculadora…

Formou-se um ciclo vicioso, as empresas em busca do lucro (e minimizar o prejuízo de projetos mal feitos) paga bem a um ou dois e fica no resto com uma equipe fraca. Esse profissional quando estuda qualquer coisa (durante uma semana) sai pulando entre empregos (trampolim) para tentar aumentar um pouco o salário. A empresa não vê fidelidade nos funcionários e acaba não investindo, pois eles vão sair de qualquer jeito. E aquele funcionário que quer fazer a coisa direito? Boa sorte...

Acho que temos que corrigir os dois lados e gosto de ver quando existe uma parceria entre empresa e funcionário. Quando ouço um ou outro reclamando eu digo: ou faça a coisa melhorar ou então vá embora. Se sua empresa não investe em você, procure uma que o faça, mas também faça o máximo para corresponder a altura, senão é apenas um idiota pedindo algo que não merece.

Tenho muitos exemplos de cenários tristes que vi nos últimos anos e vou ficar com uma frase que ouvi de um arquiteto da Microsoft "As empresas nunca têm dinheiro para fazer o projeto da maneira certa, mas sempre têm dinheiro para corrigir o que foi feito de errado".


A empresa

Hoje a Sr. Nimbus está engatinhando e iniciando uma jornada que, esperamos, dure longos anos e tenha uma história feliz para contar. E o lado bom de fazer parte disso é que você pode colocar na empresa o que acredita ser certo e moldá-la de acordo com o seu perfil de seus mentores. Não acredito em dinheiro rápido e lucros astronômicos, mas sim em trabalho árduo e dedicação.

Planejamos investimentos pesados em nossos funcionários, com participação em eventos nacionais e internacionais, além de tempo para estudar. Precisamos de um veio capitalista (ou senão falimos, né?), mas queremos que todos tenham uma visão mais aberta, ajudem a comunidade técnica e tenham responsabilidade social. Não é o lucro pelo lucro.

Hoje fazemos algumas trocas que poucas empresas fariam, facilidade de uma startup, mas que vai se manter pois está na cultura da Sr. Tudo isso sempre buscando a excelência no que fazemos e a diferenciação no mercado e, sei que ouvimos isso todo dia e já virou piada, mas temos que fazer melhor.

No fim vamos aos poucos abraçando as tecnologias que nos são familiares e crescendo de forma cadenciada e consolidada. E claro, dentro da empresa cada frente possui seu líder e seus objetivos de curto e longo prazo, e eu sou quem orienta nossas ofertas de SQL Server. Então, enquanto não tivermos os melhores treinamentos e serviços de SQL Server reconhecidos pelo mercado, acho que vou continuar inquieto e acordando de madrugada, para pensar na Sr. Nimbus e em nossas ações.

Utopia? Só o tempo vai nos dizer...

[]s
Luciano Caixeta Moreira - {Luti}
Chief Innovation Officer
Sr. Nimbus Serviços em Tecnologia Ltda
luciano.moreira@srnimbus.com.br
www.twitter.com/luticm